eclesiastes por h.c
d fato, o novo testamento e jesus cristo de nazaré fazem jus a todas as músicas d roberto carlos e às linhas da teologia da libertação. a força da presença d jesus, d sua intelectualidade e conhecimento das escrituras, proferidos d forma tão corpórea e encarnada; sua pregação, sua vida. tudo podendo ser resumido na simples palavra "amor".
a leitura da bíblia me fez desbravar caminhos curiosos, e agora leio, complementarmente, jesus cristo libertador, d leonardo boff. apesar do começo repetitivo e d uma escrita q oscila constantemente, sua defesa e visão estão à altura da beleza e força das canções jesus cristo e eles estão surdos. sinto vontade d ler tb karl barth e lutero.
em todo caso, desejo falar sobre cristo futuramente — e q haja mais coisas a dizer.
começo pelo novo p falar do velho: apesar d todo o parêntese sobre jesus, o livro q mais me impressionou até agr é um do velho testamento, q antecede o cântico dos cânticos (q traduzi o comecinho e gostaria d continuar e postar uma continuação por aqui). trata-se do eclesiastes. é um livro q facilmente poderia ter sido escrito contemporâneo a nietzsche. além d suas frases famosas ("vaidade das vaidades" e "nada d novo sob o sol"), o q mais me impressionou é a construção d uma ética moderna, c temas q reaparecem na filosofia muito posteriormente, mesmo quando tratados por meio d divagações relativamente simples: o corpo, o trabalho, o prazer, a alegria, a sabedoria.
é impressionante ler a bíblia e achar nela um "mais vale um bocado d lazer q dois bocados d trabalho". mas n gostaria d tornar isso mero exotismo — gostaria d discorrer futuramente, d forma mais aprofundada, sobre as interpretações e questões q ele me suscita.
por ora, me reservo a fazer algo q faz jus ao lugar onde escrevo: um blog. antes, os blogs serviam tanto p postar coisas pessoais quanto textos d outras pessoas — lembro do quanto li contos da clarice em blogs na época d escola. trago aqui uma tradução do haroldo do eclesiastes, pois foi difícil achar esse pdf e gostaria d compartilhá-lo.
diferentemente do gênesis e do cântico dos cânticos, essa tradução me causa certas questões. nada demais — haroldo é haroldo. mas às vezes a vontade d fazer do texto bíblico algo exótico (como disse anteriormente, algo q quero prevenir) a partir d determinadas chaves textuais, acaba caindo no oposto do q se pretende: as próprias palavras perdem algo maior na sua tentativa pormenorizada (melhor dizendo, poemizada). é uma vaidade traduzir tal texto d tal forma — e aqui a vaidade é névoa-nada.
ainda assim, isso n o impede d ser tão fascinante e brilhante quanto o texto traduzido d forma mais cristanística — e, no sentido mais poético da coisa, é tão fascinante e brilhante quanto as músicas d roberto carlos.
I
1. Palavras § de Qohélet filho de Davi §§
rei § em Jerusalém
2. Névoa de nadas § disse O-que-Sabe §§
névoa de nadas § tudo névoa-nada
3. Que proveito § para o homem §§§
De todo o seu afã §§
fadiga de afazeres § sob o sol
4. Geração-que-vai § e geração-que-vem §§
e a terra § durando para sempre
5. E o sol desponta § e o sol se põe §§§
E ao mesmo ponto §§
aspira § de onde ele reponta
6. Vai § rumo ao sul §§
e volve § rumo ao norte §§§
Volve revolve §
o vento vai
e às voltas revôlto § o vento volta
7. Todos os rios § correm para o mar §§
e o mar § não replena §§§
Ao lugar § onde os rios § acorrem §§
para lá § de novo § correm
8. Tudo tédio palavras §§
como dizê-lo § em palavras §§§
O olho não se sacia § de ver §§
e o ouvido não se satura § de ouvir
9. Aquilo que já foi § é aquilo que será §§
e aquilo que foi feito §§ aquilo
§
E não há nada novo § sob o sol
10. Vê-se algo § se diz eis § o novo §§§
Já foi § era outrora §§
fora antes de nós § noutras eras
se fará §§§
11. Nenhum memento § dos primeiros vivos §§§
E também dos vindouros § daqueles por vir §
deles não ficará § memória § §
junto aos pós-vindos § que depois virão
12. Eu Qohélet O-que-Sabe § eu fui rei §
de Israel § em Jerusalém
13. E do meu coração eu me dei §
a indagar e inquirir § com saber § §
sobre o todo § de tudo o que é feito § sob o céu §§§
Torpe tarefa § que deu Elohim §
aos filhos do homem § para atarefá-los
14. Eu vi § todos os feitos §§
que se fazem § sob o sol §§§
E eis tudo § névoa-nada § e fome-de-vento
15. O que é torto § não se pode endireitar §§§
E o que é falho § não se pode enumerar
16. Palavras para o meu coração § eu as disse §§
eis-me § aumentei e avultei § o saber §§
muito além § de quantos foram antes §
sobre Jerusalém
E por dentro de mim § vi no auge § o saber e a ciência
17. E do meu coração eu me dei § a saber o saber §§
e a saber da loucura §
e da sandice §§§
Soube
§§ também isto § é vento-que-some
18. Pois § em muito saber § muito sofrer §§§
E onde a ciência cresce § acresce a pena
II
1. Eu disse § para o meu coração §§
vem § vou provar-te no prazer §
e prover-te do melhor
§§§
E isto também isto § névoa-nada
2. Ao riso § disse: despautério §§§
E ao júbilo § que faz de sério?
3. Do meu coração decidi §§
vou largar ao vinho § o meu corpo §§§
E o meu coração § mantém-se no saber §
e ligar-me ao delírio §§
até que possa ver § que benesse § toca aos filhos do homem §
que lhes cabe fazer § sob o céu §§
nessa quota de números § dos seus dias de vida
4. Engrandeci § nas obras do fazer §§§
Fiz erguer para mim § mansões §§
fiz plantar para mim § vinhedos
5. Fiz para mim §§ jardins § e paraísos §§§
E neles plantei § árvores-de-toda-fruta
6. Fiz para mim § lençóis d'água §§§
Para irrigar com eles §§
um bosque § verdecente arvoredo
7. Comprei § escravos e escravas §§
e os da casa servos-de-nascença § eu os tinha para mim §§§
Bois e ovelhas também gado farto § eu os tinha para mim §§
mais que todos § os que antes de mim foram § em Jerusalém
8. Acumulei para mim § prata e ouro §§
e riquezas de reis § e de províncias §§§
Procurei para mim § cantores e cantoras §
e a delícia § dos filhos do homem §
uma princesa princesas
9. E engrandeci e avultei §§ mais que todos §
os que antes de mim têm sido § em Jerusalém §§§
Meu saber porém § persistia comigo
10. E tudo o que aprazia aos meus olhos §§
a eles
§
eu não lhes recusava
§§§
Ao meu coração não deneguei § prazer algum §
pois meu coração se comprazia § em todo o meu afã §§
e isto era o meu quinhão § em todo o meu afã
11. E eu me pus em face § das obras todas §
que minhas mãos fizeram §§
e do afã § do meu afã de as fazer §§§
E eis tudo névoa-nada § e fome-vento §§
e nenhum proveito § sob o sol
12. E eu me pus em face § do saber para o ver §§
e à loucura
§
e à sandice
§§§
Que resta para o homem § o-que-virá § depois do rei §§
fazer § o já feito?
13. E eu vi §§ que há mais proveito § para o saber §
do que para a sandice §§§
Como na luz mais proveito § que na treva
14. O sábio § tem olhos na cabeça §§
e o estulto § erra na treva §§§
E eu sabia eu também §§
que um destino uno § a todos se destina
15. E eu disse § para o meu coração §
qual destino de estulto § a mim o igual se destina §§
e por que fui sábio § eu § excesso inútil §§§
E eu disse para o meu coração §§
também isto § névoa-nada
16. Pois nenhum momento do sábio § junto com o estulto §
no eterno-sempre §§§
Já que deveras § o devir dos dias § tudo oblitera §§
e assim é § morrerá o sábio § junto com o estulto
17. E eu odiei § a vida §§
pois para mim é ruim §
a obra § que se faz § sob o sol §§§
Pois tudo é névoa-nada § e fome-vento
18. E eu odiei eu § todo o afã de fazer §§
do fazer que eu fiz § sob o sol §§§
Que eu deixarei §§
para o homem § o-que-virá § depois de mim
19. E quem sabe § será sábio § ou néscio §§
e ele será dono § de todo o meu afã §§
do meu afã de fazer e de saber § sob o sol §§§
Mas também isto § névoa-nada
20. E eu dei voltas a mim § para desesperar meu coração §§§
Quanto a todo o afã §§ do fazer que eu fiz § sob o sol
21. Pois eis aí um homem § cujo afã se perfez §
com saber e ciência § e êxito §§§
E a um homem § que não se afadigou §
doará seu quinhão §§
Também isto é névoa-nada § e mal sem igual
22. Pois § que advém para o homem § de todo o seu afã §§
e da fome que esfaima § o seu coração §§§
Da faina que o afadiga § sob o sol?
23. Pois o todo-dia são penas § e sofrimento § sua tarefa §§
mesmo à noite § seu coração não se aquieta §§§
Também isto § isto é névoa-nada
24. Benesse alguma para o homem § fora comer e beber §§
e fazer ver à sua alma § a benesse § no afazer §§§
Também isto § vi em mim §§
que § isto § é da mão de Elohim
25. Pois a quem o comer § e a quem o gozar § senão a mim?
26. Pois a um homem § que é bom em face dele §§
ele deu § saber e ciência § e prazer §§§
E ao que peca ele deu por tarefa § colher e recolher §
para dar § ao bom § em face de Elohim §§
também isto é névoa-nada § e fome-vento
III
1. Para tudo § seu momento §§§
E tempo para todo evento § sob o céu
2. Tempo de nascer §
e tempo de morrer §§§
Tempo de plantar §§ e tempo § de arrancar a planta
3. Tempo de matar §
tempo de destruir §
4. Tempo de pranto §
tempo de ânsia §
e tempo de curar §§
e tempo de construir
e tempo de riso §§
e tempo de dança
5. Tempo de atirar pedras §§ e tempo § de retirar pedras §§§
Tempo de abraçar §§ e tempo § de afastar os braços
6. Tempo de procurar § e tempo de perder §§
tempo de reter §
e tempo de dissipar
7. Tempo de rasgar §
tempo de calar
§
8. Tempo de amar §
e tempo de coser §§§
e tempo de falar
e tempo de odiar §§
tempo de guerra § e tempo de paz
9. Que proveito § ao fazedor §§
no afã § do que faz?
10. Eu vi a tarefa § que Elohim deu §
aos filhos do homem § para atarefá-los
11. O todo ele o fez §
belo a seu tempo §§§
Também o eterno-sempre § ao coração lhes deu §§
sem que § possa o homem devassar § a obra §
qual ele a fez § Elohim §
da cabeceira do começo e até onde tem fim
12. Eu soube § não há benesse § para eles
Senão em se aprazer §§
e nesse bem se comprazer § durante a sua vida
§§§
13. E também todo homem § que comerá e beberá §§
e verá o bem § em todo o seu afã §§§
Isso § é um dom de Elohim
14. Eu soube § que § todo o fazer que faz Elohim §
é para sempre §§
a isso
§
nada se acresce
e disso § nada se abate §§§
§§
E Elohim fez §§ que eles tremam § em face dele
15. Aquilo que já foi § é agora §§
e aquilo que há de ser § foi outrora §§§
E Elohim § rastreia o afugentado
16. E eu vi ainda § sob o sol §§§
A séde do Juízo § lá a iniqüidade §§
e o sítio da Justiça § lá o iníqüo
17. Eu disse eu § para o meu coração
o justo § e o iníquo §§
Elohim § os julgará
§§§
Pois há tempo para todo evento
e para toda obra § lá
18. Eu disse eu § para o meu coração §§
quanto aos § filhos do homem §§
Elohim § os esmerilha §§§
E que vejam §§ não são mais que animais ademais § não mais
19. Pois há o destino dos filhos do homem §
e o destino do animal §
e é um o destino § para ambos §§
a morte deste §
feito a morte daquele §§
e um o sopro § para todos §§§
E o importe do homem acima do animal § não há §§
pois tudo § é névoa-nada
20. Tudo vai § para um só lugar §§§
Tudo § veio do pó §§
e tudo § volta ao pó
21. Quem sabe § se o sopro dos filhos do homem §§
sobe § para o alto §§§
E o sopro § do animal §
desce § terra abaixo?
22. E eu vi § benesse alguma §
salvo o homem se aprazer § no seu fazer
eis aí
§
seu quinhão §§§
Pois quem o fará sobrevir § para ver §§
aquilo § que será no após-ele?
IV
1. E eu me voltei eu § e vi § toda a opressão
que é feita § sob o sol §§§
E eis o choro dos oprimidos §
e não há para eles § conforto §§
e da mão que os oprime § força §§
e não há para eles § conforto
2. E eu saúdo eu § os mortos § os que já morreram §§§
Antes que aos vivos §§
a eles § os inda-viventes
3. E melhor § do que ambos §§
quem ainda § não foi §§§
Quem não viu § os malfeitos §§
que se fazem § sob o sol
4. E eu vi eu § toda a fadiga §
e § todo o êxito da obra §§
pois aí § ciúme do homem §
contra o rival-homem
§§§
Também isto é névoa-nada § e fome-vento
5. O estulto § ata suas mãos §§
e come § a carne do corpo
6. Melhor §§
uma palma-de-mão cheia § de repouso §§§
Que duas mancheias § de fadiga § e fome-vento
7. E eu me voltei eu § e vi §
névoa-nada § sob o sol
8. Eis um e sem dois §
também sem filho nem irmão §
e nenhum fim a todo o seu afã §§
mesmo seu olho § não se sacia de tesouros §§§
E para quem me afadigo §
e privo minha alma do anseio § de benesses §§
também isto é névoa-nada § e torpe tarefa
9. Melhor dois § do que um §§§
Para dois § melhor o soldo § no afã comum
10. Pois no-que-caem §§
um § levantará o outro §§§
E dó § ao que é só § cairá §§
e ninguém § para o levantar
11. Também § dois que se deitam juntos §
e ambos se aquecem
§§§
E para o só § qual o calor?
12. E se alguém se sobrepõe § a um só §§
dois § se põem contra esse alguém §§§
E a corda § tripla §§
não rebenta § rápido
13. Melhor § menino mísero § e com siso §§§
Que rei senil § e sem tino §§
o qual § já não mais sabe § iluminar-se
14. Pois do cárcere dos presos §
ele veio a reinar
§§§
Pois § mesmo enquanto rei § nascera na miséria
15. Eu vi § toda a gente vivente §§
que andeja § sob o sol
§§§
Com o menino seguinte §§
o que vai sentar § no lugar do primeiro
16. Sem fim todo o povo §
toda a gente que o tem § à frente §
mesmo os derradeiros que hão de vir §
dele não se alegrarão
§§§
Pois também isto é névoa-nada § e vento-que-some
17. Refreia teu pé § quando fores § à casa de Elohim §§
e acerca-te para dar escuta §§
antes que para o dom dos estultos § oferendas §§§
Pois eles não sabem § que fazem o mal
V
1. Não haja pressa em tua boca §
e teu coração não se afobe §
em palavrear § em face de Elohim §§§
Pois Elohim ei-lo no céu § e tu sobre a terra §§
portanto § palavras § poucas
2. Pois § o sonho vem § na demasia das tarefas
E a voz do estulto § em demasia de palavras
3. Se devotares um voto § a Elohim §
não te demores § em cumpri-lo §§
pois § nenhum comprazimento § com estultos
Devotado um voto § cumpre-o
4. Melhor § nenhum voto §§§
Que devotar um § e não cumpri-lo
5. Não permitas à tua boca § incriminar teu corpo §§
e não digas § em face do emissário §§
mero engano § isto §§§
Por que então raivaria Elohim § contra tua voz §§
e arruinaria § a obra de tuas mãos?
6. Pois demasia de sonhos § e névoa-nada §§
e palavras § demais §§§
Então a Elohim § teme
7. Os pobres oprimidos §
e o Juízo e a justiça violados §
vendo isso no país §§
não te assombrem § tais eventos §§§
Pois um superior § sobre um superior § vigia §§
e supremos § sobre eles
8. E o proveito da terra § está todo aí §§§
A campo arado um rei § vinculado
9. Quem ama o ouro § não se sacia de ouro §§
e quem ama a profusão § não tem fruto §§§
Também isto § névoa-nada
10. No que acrescem § os bens §§
crescem § os que deles comem §§§
E que vantagem § para o dono dos bens
além de § vê-los com seus olhos?
11. Doce § o sono de quem trabalha §§
pouco ou muito § o que coma §§§
E ao rico § saciado §§
não lhe é dado § dormir
12. Eis um mal ferino
§§
eu o vi § sob o sol §§§
Riqueza § vigiada por seu dono § para seu malefício
13. E perece § tal riqueza § numa torpe tarefa §§§
E ele tem um filho §§
e na mão não tem § nada
14. Assim como saiu § do ventre de sua mãe nu §§
§ ele tomará a ir § como veio §§§
E nada § lhe advirá de sua faina §§
que ele carregue § na mão
15. E também isto § um mal ferino §§
tal como veio § assim ele irá §§§
E que proveito para ele §§ no seu afã § dado ao vento?
16. Também todos os dias § há de comer na treva §§§
E muito sofrer § e dor e furor
17. Eis § o que eu vi eu §
o belo está no bom do comer e do beber §
e em ver a benesse §
em todo o seu afã de afazeres sob o sol §
nessa quota de números dos seus dias de vida §
que lhe deu Elohim § pois é seu quinhão
18. Também todo homem §
a quem Elohim deu riqueza e tesouros §
e poder para deles comer § e tomar seu quinhão §§
e se aprazer § em seu afã §§§
Eis aí
§§
é um dom de Elohim § isto
19. Pois não são muitos §§
ele recordará §
os dias de sua vida §§§
Pois Elohim § ecoa § no júbilo do seu coração
VI
1. Eis um mal §§ eu o vi § sob o sol
E ele avulta
§§ § sobre-humano
§§§
2. Um homem a quem Elohim dá § riqueza e tesouros e galas §
e nada lhe falta à alma § da ânsia que tem de tudo §
e Elohim não lhe dá o poder § desse comer §§
pois § a um forasteiro § tocará o de-comer §§§
Isto é névoa-nada § e dor ferina § esta
3. Se um homem gera outros cem § e vive anos sem conta §
e sem conta § que o sejam seus dias-e-anos §
e sua alma § não sacia o anseio de benesses §§
e nem mesmo um jazigo § lhe resta §§§
Eu digo §§ melhor do que ele § o natimorto
4. Pois vem da névoa § e vai para a treva §§§
E na treva § seu nome encerra
5. Mesmo o sol ele não viu § e não soube de nada
Mais repouso para este § que para aquele
6. E se ele houvesse vivido § mil anos § duas vezes §§
e nunca bem algum § ele houvesse entrevisto §§§
Para um lugar único § não é § que vai tudo?
7. Todo o afã do homem § é para sua boca
E mesmo a alma é ânsia § que jamais se estanca
8. Pois § o sábio em que excede § ao estulto §§§
Que vale ao pobre o saber §§
para ir § frente aos viventes?
9. Melhor § a visão dos olhos §
que andanças da alma §§§
Também isto é névoa-nada § e fome-vento
10. Aquilo que foi § já § se proclamou o seu nome
e é sabido § do húmus o homem §§§
E não pode litigar §§
com força maior § que a dele
11. Pois § palavras demais § névoa-nada demais §§
Que vantagem § para o homem?
§§§
12. Pois quem sabe do bom para o homem § na vida §
essa quota de números § seus dias de vida-névoa-nada §
e eles os passará feito sombra §§§
Então § ao homem quem lhe anunciará §§
aquilo que será no após-ele § sob o sol?
VII
1. Melhor um bom nome § que um perfume nobre §§§
E o dia de morrer §§ que o dia de nascer
2. Melhor § ir a uma casa onde há luto §
do que ir § a uma casa onde há festa §§
eis que §§ esse § é o fim de toda gente §§§
E o vivente § que o tenha presente no coração
3. Melhor sofrimento
§
que riso §§§
Pois em rosto amargo § há coração largo
4. Coração de sábio § na casa do luto §§
e coração de estulto § na casa do prazer
5. Melhor §§ escutar § reprimenda de sábio
Que alguém §§ dar escuta
6. Pois como a urtiga estala § sob o tacho quente §§
assim estridula § o riso do estulto
E também isso § névoa-nada
7. Pois a opressão § enlouquece o sábio §§§
E suborno § corrompe o coração
§§§
§
a cantilena de estulto
§§§
8. Melhor § a palavra final §
que a primeira palavra §§§
Melhor fôlego paciente § que fôlego veemente
9. Não haja pressa em teu fôlego § em se dar à cólera §§§
Pois a cólera §§ nas entranhas do estulto §
10. Não digas § como é §§
que os dias § de outrora §§
eram melhores §
que os de agora
§§§
Pois § não é sabedoria § perguntares por isso
11. Bom o saber § quando vem com posses §§§
E aproveita § a quem vê o sol
resta
12. Pois § à sombra do saber § à sombra do dinheiro §§§
E proveito da ciência §§
o saber § dá vida ao seu sabedor
13. Vê
§
a obra de Elohim §§§
Pois quem poderá § endireitar §§
o que ele entortou?
14. Em dia benéfico §
vive a benesse §§
e em dia adverso § adverte §§§
Tanto este como aquele § Elohim os fez §§
para um fim §
que o homem não devasse § no após-ele § nada
15. Vi de tudo § nos meus dias-névoa-nada §§§
Eis um justo § vida breve com sua justiça §§
e eis um iníquo §§
vida longa § apesar de iníqua
16. Não sejas justo § em excesso §§
e não te excedas § em sabedoria §§§
Por que § provocares tua ruína?
17. Não sejas iníquo em excesso §
e não sejas néscio §§§
Por que morrer § fora da tua hora?
18. Bom apegar-se a isto §§ e também àquilo §
de ambos não despregues tua mão §§§
Pois quem teme a Elohim § sai bem de tudo
19. A sabedoria § dará força ao sábio §§§
Mais que dez § potentados §§
que governem § a cidade
20. Pois homem §§ justo não há § sobre a terra §§§
Que faça o bem § e não peque jamais
21. Também a todas as palavras do seu palavrear §§
não abras §
teu coração
§§§
Que assim § não ouvirás teu servo § maldizer de ti
22. Pois § também vezes e vezes §
teu coração o sabe §§§
Que também tu § maldisseste dos outros
23. Tudo isto § eu o tenho provado com sabedoria §§§
Eu me disse: hei de ser sábio §§
e ela § distante de mim
24. Distante § o que foi antes §§§
E fundo profundo § quem o devassará?
25. Eu dei voltas a mim e ao meu coração §
para saber e inquirir §§
e buscar sabedoria § e cálculo §§§
E para saber § iniqüidade é estultice §§
e a sandice § loucura
26. E eis que eu descobri § amarga mais que a morte §
a mulher § pois ela § tramas e maranhas §
seu coração
§
liames suas mãos §§§
O bom § em face de Elohim § se livrará dela §§
e o pecador § ela o cativará
27. Vê § o que eu descobri §§
disse
§
Qohélet O-que-Sabe §§§
Uma por uma § para chegar a um cálculo
28. O qual § minha alma busca ainda §
e eu não descobri §§§
Um homem § um em mil § eu o descobri §§
e uma mulher num milhar delas § não descobri sequer
29. Tão só § vê isto que eu descobri §§
que Elohim fez §
o homem § reto §§§
E eles é que buscaram § maquinações sem fim
VIII
1. Quem como o sábio §§
e quem sabe § o senso da palavra? §§§
A sabedoria do homem § ilumina seu rosto §§
e o rigor do seu rosto § se amaina
2. Eu: § observa a boca do rei §§
e sob §§ palavra § o juramento de Elohim
3. Não tenhas pressa em face dele § de te afastar §§
nem te atenhas § à palavra má §§§
Pois § tudo a seu bel-prazer § ele o fará
4. Que palavra-de-rei
§
é poder §§§
E quem lhe vai dizer § que estás fazendo?
5. Quem observa o mandamento §§
não saberá § da palavra má §§§
E tempo e julgamento §§
deles saberá § o sábio de coração
6. Pois para todo evento §§
há § tempo e julgamento §§§
Pois o mal do homem § avulta sobre ele
7. Pois não lhe é dado saber § o que será §§§
Pois quando for o que for §§
quem § lhe anunciará?
8. Homem não há § com poder sobre o vento §
para frear o vento §§
e nenhuma potência § frente ao dia da morte §§
e nenhum armistício § nessa guerra §§§
E a iniqüidade não livrará § a seu mestre iníquo
9. Isso no seu todo eu o vi §
e do meu coração eu me dei § à obra toda §§
que se faz § sob o sol §§§
Num tempo § de poder do homem § sobre o homem §
para o mal
10. E assim § eu vi iníquos sepultos em jazigo §
e eles vinham § e do lugar santo §
eram levados a sair §§
e ficarão esquecidos na cidade §
assim como o que fizeram §§§
Também isto § névoa-nada §§
11. Eis que § a sanção não fulmina §§
o malfeito § rápida
§§§
Assim também § infla § o coração dos filhos do homem §
dentro deles § para que façam o mal
12. Eis que o pecador § faz o mal § ao cêntuplo §
e vida longa para ele!
§§§
Como também eu sei
§§
a eles o bem § aos que temem a Elohim §§
aos que tremem § em face dele
13. E o bem § não será para o iníquo §§
e não se prolongarão os seus dias § qual sombra
Eis que § ele não treme § em face de Elohim
14. É névoa-nada § o que se faz sobre a terra §§
há justos § que têm a sorte § igual à obra dos iníquos §§
e iníquos §§
que têm a sorte § igual à obra dos justos §§§
E eu disse §§
que também isso § é névoa-nada
15. E eu saudei eu § o prazer §§
pois benesse alguma para o homem § sob o sol
fora § comer e beber § e se aprazer §§§
E isto § o há de seguir em seu afã de fazer §
pelos dias de vida § que lhe deu Elohim § sob o sol
16. Quando eu me dei do meu coração §
a saber o saber
§§
e a ver § a tarefa §§
que se faz § sobre a terra §§§
Pois de dia também § e de noite
o sono §§
em seus olhos § não lhe é dado ver
17. E eu vi
§
a obra toda de Elohim §§
que ele não pode § o homem § devassar §
a obra § que se faz sob o sol §§
debalde § o afã do homem § em sua busca §
e ele não há de devassar §§§
E mesmo o sábio quando diz § saber
ele não pode § devassar
IX
1. Pois tudo isso § eu dei ao meu coração §
e para aclarar tudo isso §§
que os justos e os sábios § e suas obras §
estão na mão de Elohim §§§
Seja do amor seja do ódio §
não sabe nada § o homem §§
o todo § disposto em face deles
2. O todo § igual para todos § destino uno §
para o justo e para o iníquo §
para o bom § e para o puro e para o impuro §§
e para quem oferenda §§
e para aquele § que não faz oferendas §§§
Tanto o bom § quanto o que peca §§
quem jurou §§
igual § a quem refugou o juramento
3. Eis o mal § em tudo o que é feito § sob o sol §§
pois é um o destino § . para todos §§§
E também no coração dos filhos do homem §
infla-se o mal § e a loucura no seu coração §
enquanto vivos §§
e o após de cada um § junto aos mortos
4. Pois aquele § que se vincula §§
ao todo dos viventes § segura-se à esperança §§§
Pois cachorro vivo § é melhor §§
que leão § morto
5. Pois os vivos § sabem § que vão morrer §§§
E os mortos § eles não sabem de nada §
e para eles não há mais § salário §§
pois a memória esquece § o seu obituário
6. Tanto o amor quanto o ódio § quanto o ciúme deles
são agora de outrora §§§
E mais nenhum quinhão para eles § por todo o sempre §§
em tudo o que se faz § sob o sol
7. Vai come com prazer § o teu pão §§
e bebe de coração leve § o teu vinho §§§
Pois já agora § Elohim acolheu § tuas obras
8. Em todo tempo §§
sejam tuas vestes §
brancas §§§
E o perfume § sobre tua cabeça § nunca falte
9. Vê a vida § com a mulher que amas §
todos os dias § de tua vida-névoa-nada §§
os quais te foram dados § sob o sol §§
todos § os teus dias-névoa-nada §§§
Pois esse é teu quinhão §
no viver §§ e no fazer §§
na fadiga do que fazes § sob o sol
10. Tudo § o que tua mão descobrir §
com força de o fazer §
que o faças
§§§
Pois não há obra nem cálculo § nem ciência nem saber §
no Sheol terra oca §§
lá § para onde vais
11. Voltei-me § e vi sob o sol §
que não é para os velozes a corrida §
e não é para os valentes a guerra §
e tampouco § para os sábios o pão §
e tampouco para os sagazes § a riqueza §§
e tampouco § para os sapientes § o aplauso §§§
Pois tempo e acaso § se abaterão sobre todos
12. Pois § tampouco o homem saberá § do seu tempo §
como os peixes § recolhidos § na rede perversa §§
e como os pássaros §§
colhidos §
na armadilha §§§
Assim também § são tolhidos § os filhos do homem §§
pelo tempo adverso §§
quando este lhes sobrevém § de repente
13. Também isto § sabedoria eu vi § sob o sol §§§
E grande sabedoria § para mim
14. Cidade pequena §§
e pouca gente § dentro dela §§§
E veio contra ela § um grande rei §
e cercou-a §§
e ergueu contra ela § grandes máquinas de guerra
15. E descobriu-se nela § um homem pobre § um sábio §§
e ele a libertou à cidade §
com sua sabedoria §§§
E agora quem § comemora §§
esse homem § esse pobre?
16. E eu disse eu §§
melhor sabedoria §
que valentia §§§
E à sabedoria do pobre § não se dá valia
e as palavras dele § não são ouvidas
17. Palavras de sábios §§ pausadas § são ouvidas §§§
Mais do que um grito-de-comando § junto a estultos
18. Melhor sabedoria § que aparato bélico §§§
E um só pecador §§
pode pôr a perder § fartura de benesses
x
1. Moscas da morte §§
fermentam fétidas §
o óleo do perfumista §§§
Pesa mais § que saber e galas § um nada de sandice
2. Coração de sábio § direção correta §§
e coração de estulto § rota canhota
3. E mesmo ao tomar um rumo § o néscio enquanto vai §
seu coração não tem prumo §§§
E diz a todos § é um néscio!
4. Se o vento de fúria do-que-manda §
se eleva contra ti
§§
não deixes § o teu posto
Pois compostura §§ amaina § pecados graves
5. Eis um mal §§
eu o vi § sob o sol §§§
Como um engano §§
que emana § da face do poder
6. A inépcia guindada §§ a grandes §
alturas
E ricos de valor § se assentam subalternos
7. Vi escravos §
a cavalo §§§
E príncipes § pisando como escravos § a terra
8. Quem cava um fosso § no fosso cairá §§§
E quem derruba um muro § uma serpente o morderá
9. Quem desloca pedras §§
na pedra § se ferirá
Quem corta madeira § no corte se arriscará
10. Se o ferro embota § e quem o usa §
não lhe aguça o gume §§
empenhará mais força § em seu esforço
E para o êxito dá proveito § sabedoria
11. Se a serpente ferra o dente §
Que proveito alcança
e não se encanta §§§
§§ o encantador-de-serpentes?
12. Palavras da boca do sábio § aplauso! §§§
E lábios de estulto § confusa voragem!
13. O início das palavras de sua boca § sandice! §§§
E sua boca no que se fecha § §
loucura § maléfica!
14. E o néscio § palavreia em demasia §§§
O homem não sabe § o que será §§
e o que há-de-ser § no após-ele §§
quem § lhe anunciará?
15. Afã de estultos §
estafa-os! §§§
Que não sabem sequer § como ir à cidade
16. Ai de ti país
§§ de um rei § criança §§§
E cujos príncipes § já de manhã se dão à comilança
17. Feliz de ti país §§ cujo rei § é de linhagem nobre §§§
E cujos príncipes § comem no tempo certo §§
com porte de valentes § e não de ébrios
18. Por excesso de preguiça § cederão as vigas do teto §§§
E por mãos omissas § a casa verterá água
19. Para o riso § fazem um festim §§
e o vinho § dará prazer aos vivos §§§
E o dinheiro § responderá por tudo
20. Mesmo no íntimo de tua mente §
não maldigas do rei §§
e no recesso § do teu quarto de dormir §§
não maldigas § do rico §§§
Pois uma ave do céu § pode levar tua voz §§
e um agente alado § denunciar a palavra
XI
1. Espalha o teu pão § sobre a face das águas §§§
Pois que passem muitos dias § de novo o descobrirás
2. Reparte o quinhão com sete § e mesmo com oito §§§
Pois não hás de saber
§§
que mal está por vir § sobre a terra
3. Se as nuvens se acumularem de chuva §
sobre a terra se esvaziarão
§§
e se uma árvore cair § ao sul § ou ao norte §§§
No lugar § onde a árvore caia § lá ela ficará
4. Quem vigia o vento § não semeia §§§
E quem observa as nuvens § não ceifa
5. Já que não sabes § da rota do vento §§
nem do encorpar dos ossos § no ventre da grávida §§§
Tampouco § saberás § da obra de Elohim §§
aquele que faz § o todo
6. De manhã § semeia tua semente §§
e até o cair da noite § não descanses tua mão §§§
Pois não te é dado saber § qual delas terá êxito §
esta ou aquela §§
ou se das duas cada uma § será boa
7. E que doçura § a luz! §§§
E como é bom para os olhos § ver o sol!
8. Pois que sejam numerosos os anos §
de vida de um homem §
em todos ele tenha prazer
§§§
E ele não deixará de recordar §
os dias de treva que serão inúmeros §
todo o por vir § é névoa-nada
9. Jovem: júbilo em tua juventude §
e bonança em teu coração § na infância dos teus dias §§
e vai § pelas vias do teu coração § §
e pela miragem dos teus olhos §§§
E sabe §§ por tudo isso § Elohim te fará vir § a julgamento
10. E afasta o sofrimento § do teu coração §§
e aparta o mal § do teu corpo §§§
Que juventude e cabelos negros § névoa-nada
XII
1. E recorda § o teu criador §§
nos dias § de tua juventude §§§
Antes que venham § os dias ruins §§
e se avizinhem os anos §§ dos quais dirás §§
neles para mim § nenhum prazer
2. Antes § que se escureça o sol § e a luz §§
e a lua § e as estrelas §§§
E venham de volta as nuvens turvas § depois da chuva
3. No dia § em que tremerem § os vigias da casa
e se curvarem § os homens de vigor. §§§
E esmorecerem as moendas § por falta de moleiras
e escurecer a vista às que olham § através das treliças
4. E se fecharem as portas § para a rua §§
quando se abafar § a voz do moinho §§§
E o homem se levantar § com a voz do pássaro §§
e se forem sufocando § todas as filhas do canto
5. Mesmo subir alturas lhe causará terror §
e temores a caminhada §§
e a amendoeira em flor haverá de cintilar §
e pesará o gafanhoto farto §§
e a alcaparra § perderá seus poderes
§§§
Pois o homem vai § para sua casa no eterno-sempre §§
e está na rua a ronda dos que pranteiam
6. Antes que se rompa § a corda de prata §§
e se quebre
§
a copa de ouro §§§
E se parta o cântaro § sobre a fonte §§
e a roldana quebrada § caia na cisterna
7. E o pó voltará § à terra § tal qual era §§§
E o sopro irá de volta §§
a Elohim § que o deu
8. Névoa de nadas § disse O-que-Sabe § tudo névoa-nada
9. E §§ Qohélet foi mais do que § um sapiente §§§
Sempre § ensinou o saber § à gente do seu povo §§
e pesou e ponderou § §
elaborou § provérbios numerosos
10. Qohélet buscou §§
descobrir § o prazer das palavras §§§
E a escrita justa § palavras verídicas
11. Palavras de sábios § iguais a pontas de aguilhão §§
e iguais a cravos bem pregados §
as coleções dos mestres-de-parábolas §§§
Doadas § por um só pastor
12. E além delas § meu filho fique claro §§§
Fazer livros em excesso § não tem alvo §§
e excesso de estudo § entristece a carne
13. Fim da fala § tudo foi ouvido §§§
Teme a Elohim § e observa seus mandamentos §§
pois isto é § o todo do homem
14. Que as obras todas §§
Elohim § as julgará §
todas por mais ocultas §§§
Boas § e más
Comentários
Postar um comentário